quinta-feira, 19 de julho de 2018

OS 7 E A CABANA

CAROS AMIGOS, VOU PUBLICAR AQUI A PRIMEIRA  PARTE DO MEU,  NOVO, LIVRO ONDE O LANÇAMENTO VAI SER EM BENFICA, PARA A SEMANA... APAREÇAM...

                          CAPÍTULO UM

       Numa segunda-feira do mês de outubro, a professora da escola primária, Laura, como se chamava, no final das aulas e antes dos alunos saírem da escola, perguntou a todos eles, com entusiasmo e imaginando uma resposta positiva:
    - Vocês gostam de histórias?
    - Sim, claro! - responderam eles em conjunto.
    - Gostariam que eu contasse alguma?
    - Sim! - responderam eles novamente!
    - Então fica prometido que, a partir de amanhã, neste, mesmo horário, eu contarei uma história.
    - Oh, que fixe! - comentaram uns com os outros, sorrindo de contentamento.
     A sua intenção era a seguinte: proporcionar-lhes mais interesse, curiosidade e vontade pelos estudos e assim combater o absentismo. Tudo isto devido a estarmos no início do ano escolar! Talvez isso lhes abrisse o apetite e criasse neles uma maior motivação pelas buscas de aprendizagem e valores humanos.
    Quando chegou à escola, no dia seguinte, tal como ela imaginara, ninguém estava ausente. A pequena sala de aulas transbordava de alegria e curiosidade. Todos estavam atentos e no seu devido lugar, onde esperavam ansiosamente pelo final das aulas, para que pudesse acontecer o que lhes fora prometido, no dia anterior. 
    E assim foi… Começou então a contar a história, quase no fim da tarde de terça-feira:
   - A minha avó Beatriz, que faleceu no ano passado, tinha os seus oitenta e dois anos; dizia-me, várias vezes, que quando era jovem, por volta dos seus treze anos, juntava-se com mais amigos e colegas, da mesma e única escola, dali. Para assim, depois das aulas, e todos juntos, aproveitarem o tempo da melhor maneira possível -  dizia ela sorrindo e, ao vê-los com muita atenção, continuou – Procuravam, então, os sítios mais resguardados, calmos e agradáveis desta pequena aldeia. Aquela que, pouco a pouco, foi crescendo e se transformou na linda vila de agora. A história surgia da boca da professora Laura, com voz carinhosa, de quem recordava com alegria as vivências que a sua avó lhe contara...
   - Mas é uma história verdadeira? - perguntou alguém
   - Sim, eu conto porque vale a pena perceber e entender o valor dos acontecimentos dessa época! Verão como é bonita e verdadeira! - disse a professora, com satisfação, mas pouco tempo depois continuou.
    - Sabiam que foi nesta aldeia que muitos dos antepassados das famílias deste lugar viveram a sua juventude e até mesmo a vida, pois foi donde a maioria nunca saiu.
     De repente, sorriu e fez uma pausa, como se acabasse de se lembrar de alguma coisa importante! Reparou que a curiosidade estava estampada nos rostos da maioria dessas crianças, onde lhes perguntou a sorrir:
  - Quem de vocês tem mais alguma família daqui? Além, dos vossos pais, claro?
  - Eu, os meus avós maternos e um tio ainda vivem aqui, nesta aldeia! - respondeu a Ana.
  - Eu também! Ainda tenho tios e primos que moram cá - disse uma outra menina que estava ao seu lado.
   - Quanto a mim, já não sei ao certo, uns dizem que sim, que tenho tias distantes, mas outros dizem que não... - disse uma outra voz mais triste, suspirando, desta vez de um menino chamado André Mário.
     A professora, depois de engolir em seco, retomou a palavra e prosseguiu:
  - O que é certo é que esta pequena aldeia era o único sítio que eles conheciam.
    A professora observou e avaliou a reação de cada um! Eles olhavam uns para os outros tentando desvendar alguma coisa, mas denunciavam uma curiosidade geral! A paz reinava ali, naquela sala de aulas, e ela continuou.
   - Como vocês não podem imaginar, porque não viveram nessa época, aqui não havia nenhuma distração. Quase todos os dias faziam a mesma coisa.
   - Oh, que chatice! - respondeu um outro menino mais alegre, que se chamava Adolfo. Laura, a professora, sorriu-lhe e deu uns passos em frente, e, levantando as mãos devagar, perguntou perguntando a todos eles:
  - Era uma seca, não acham?
  - Sim, era realmente uma chatice! A não ser que inventassem os jogos! - responderam alguns. Depois, a professora sorriu e continuou.
  - Pois assim fizeram! Então, logo após as aulas e para preencherem melhor o tempo, alguns deles juntavam-se e faziam os trabalhos da escola. Dividiam, assim, as incertezas e partilhavam todo o tipo de problemas, desabafando e aconselhando-se, uns com os outros, o que era ótimo, não acham? – disse, sorrindo. Olhou à sua volta e viu que estavam curiosos, pelo que continuou…
    - Mas, não brincavam? - perguntou uma outra menina que se chamava Maria João.
    - Brincavam, sim, entre eles, como à macaca, cabra cega e às escondidas. Contavam, também, todo o tipo de histórias, sendo alguns acontecimentos verídicos!  
    - Ah, assim está melhor! – comentaram os outros.
    - Nós ainda jogamos a isso, de vez em quando, sempre que vamos ao recreio! - disseram outros.
   - Sim, são mais divertidos do que muitos de agora!
  - É verdade, embora a tecnologia esteja, cada vez, mais atual em tudo na nossa vida! – disse Laura.
   - Pois. - proferiram eles.
   - Muito bem! Continuando… - disse a professora, ao respirar fundo.
   - No final de cada seção e do dia havia sempre alguém que se prontificava a contar uma bela história vivida pelos seus antepassados, pais ou avós. Eram histórias que ajudavam a viver, porque cada uma continha o seu valor. - explicava ela esfregando as mãos.
   - Por mais que elas pudessem ser imaginadas era, também, uma boa e linda maneira de aprender e de valorizar mais o lado humano, ou seja, o do coração. Principalmente porque estavam na altura certa de saber e compreender que, nos vários problemas da vida, existe quase sempre uma saída, desde que nunca se desista. - dizia-o num tom persistente e acenando com a cabeça.
   - O sítio preferido deles era uma cabana abandonada, onde, por vezes, se refugiavam os pastores, caçadores e outros, mais principalmente, quando chovia. Sim, porque nas alturas de caça, chovia bastante! Nessa cabana, havia uma grande cheminé que podiam acender e aquecerem-se nos dias mais frios! Quem escolhera aquele lugar tinham sido as raparigas! Sabiam?
  - Ai sim? E porquê elas? - perguntou, Adolfo, um dos rapazes, interrompendo a professora
  - Estás com inveja? - respondeu uma rapariga, em tom de brincadeira.
  - Calma, sim? Não comecem já a discordar! - disse Laura levantando as mãos e continuando. - Isso só aconteceu porque elas eram quatro, e eles três! E depois, a cabana ficava junto a uma horta e a um rio. Antigamente era uma casa habitável pertencendo aos familiares de uma amiga desse grupo. Onde havia várias árvores de fruto que pertenciam aos pais dessa amiga. Assim, tinham permissão de ir petiscando frutas ou legumes à medida que iam brincando!
  - Ah, assim está melhor! - disse a mesma voz! - Porque não é justo que elas fiquem sempre em vantagem…
   - E comiam os legumes assim, crus? - perguntou o André.
   - Sim, claro que isso dependia do que se tratasse. Mas pensem comigo, pelo menos eram produtos biológicos, ou seja, eram naturais e puros, nascidos da terra preparada para isso mesmo!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

POEMA MEU



Sonho

Faço um castelo na areia molhada
E vou construindo um poema devagar...
Nas torres de nevoa e pontes levadiças
De indecisão amedrontada
Sei que palavra a palavra formo um verso…

Vejo a areia escoar-se lentamente
Na ampulheta dos séculos
E permaneço inerte e indecisa
Sem saber como acabar o poema…

Um exército de ondas chega repentinamente
Rompendo as linhas do horizonte longínquo,
Derrubando os muros do amanhã...

Então...
Pedindo-te ajuda deito-me na cama,
Feita de areia
Puxo o teu corpo
E dispo-o de palavras até te ver…

Ficamos assim…
Pois é tudo o que precisamos dizer
Suavemente chamamos
O amor para acabar o poema…

FREDY



 






Sonho dois


Mas nesses muros invisíveis
Feitos de frases inacabadas e soltas,
Onde as palavras se vão amontoando,
Lentamente e letra a letra
Pressinto o sopro do novo amor ausente,
Vagueando sobre as torrentes do tempo…

Grito por ele e quero aprisiona-lo
Nesta fortaleza intocável...
Onde só o sonho é permitido
Mas a neblina que sempre o rondou
Apropria-se do encantamento
Que o sustenta...
E engana-o...

Sufocando-o e desfazendo-o
Ficando apenas uma réstia de luz
Na areia molhada…

São nesses sentimentos firmes,
Leves e sombrios
Onde descobrimos
A firmeza que os sustenta…


FREDY





domingo, 1 de julho de 2018

BRUNO MARS AO VIVO NO ROCK IN RIO


PARA QUEM, POR ALGUM MOTIVO, NÃO ESTEVE PRESENTE NESTE ESPECTÁCULO, NUNCA É  TARDE... REVEJA, CLICK NO NOME.

BRUNO MARS

segunda-feira, 25 de junho de 2018

POEMA Á MINHA ALDEIA


A minha aldeia


Na terra onde nasci….
Na aldeia de onde vim
Existem riachos de água pura
Onde saciávamos a secura
Dessas tardes de loucura
Numa frescura sem fim…

Nessa aldeia há rios e fontes…
Onde pescávamos o peixe,
Regávamos a horta
E lavávamos a roupa
Que secava entre os montes
A minha aldeia ficou:
De ruas quase desertas
De casas e famílias incertas
Que com os anos a passar
É difícil de aceitar...

Eu aprendi a mudar…
Para agora recordar…
O maravilhoso odor campestre
Que com a primavera floresce
Entrando pelas janelas abertas
O que é difícil não lembrar…

Na minha aldeia
Ao som dos grilos a cantar
Eu tinha sempre a ideia
De que falava com o horizonte
E com as estrelas a brilhar
E era feliz por lá estar…
E sei que para sempre recordarei
Aquela aldeia perdida no nada
A criança que fui e que sonhei
Numa terra por mim amada


Sei que nunca vou esquecer
Os Invernos que ali passei
Como os dias tão incrivelmente frios
E as noites em que quase gelei
Mas ao sabor das brasas
Que me aqueciam e davam asas
Nós fazíamos o fumeiro
Para saborearmos o ano inteiro
Com o que cultivávamos
E assim os anos passavam…

Foram tempos difíceis
Nessa época de outrora
Apesar da pobreza que passei
Trocá-los-ia pelos d’agora?
Um bom vinho para degustar
Umas alheiras, para assar
Bolas de neve, para guerrear…

E enfim…
Enfim…
Enfim…
Deixo o meu pensamento divagar
Como borboletas a dançar…

E volto sempre àquele lugar
Para rever as coisas e lembrar
Brincadeiras de horas mortas
Com os risos de quem lá vivia
Sem nunca trancar as portas
Nem de noite nem de dia…

FREDY








domingo, 24 de junho de 2018

POEMA DA MINHA AUTORIA




Criança Eu sou

Rios de esperança

Que brotaram do infinito

Brincadeiras de criança

Que evaporam num grito

 

Sonhos que serão felizes

De uma criança a crescer

Ao lembrar desses dias

Que nunca irá esquecer.

 

Os anos passavam

E a criança crescia

Os sonhos mudavam

E algo acontecia…

 

Nas saudades passadas

Que viveu e vivia

Mas que espera ainda

Recordar um dia. 



FREDY

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O PERFEITO DO IMPERFEITO II a outra face

    
Caros amigos aqui deixo mais uma parte do meu livro para apreciarem, ele encontra-se à venda:
https://www.chiadobooks.com/livraria/o-perfeito-do-imperfeito

     No final da tarde de terça-feira, depois das horas de maior calor, Frederica resolveu ir a casa dele, saber se encontrava algum sinal de que aquela pessoa ainda ali existisse. Riu-se para si mesma, quando pensou nessa possibilidade, mas logo a seguir, o seu pensamento falou-lhe:
    - É claro que existe, que pensamento mais parvo! Aquela visão tão bonita não surgiria assim… do nada! Ele era bem verdadeiro, porque me assustou. E para além disso, de nos termos falado, também lhe toquei e senti que era bem real! Não foi só um sonho, apesar de parecer... - Pensou ela, rindo enquanto suspirava.
         Em primeiro lugar saiu o portão da sua casa, ou melhor, da casa de sua irmã. Depois, verificou que a rua se mantinha quase deserta e foi avançando calmamente, apoiada à grade. Em seguida, olhou para os lados, e, como não viu ninguém por perto, dirigiu-se cuidadosamente, para evitar cambalear, em direção à casa do outro lado da rua.
          Frederica aproximava-se, bem menos confiante, pois cada vez que se via desamparada, no meio do nada, o grande desequilíbrio apoderava-se dela. Com atenção e a curiosidade a comandar, ela seguiu em frente… era como se sentisse o seu corpo no vazio, ou sem apoio. Sentia a falta de controlo no seu corpo, ela sabia que esse problema estava cada vez mais presente. Parecia uma árvore sacudida pelas carícias do vento, ou demasiada fragilizada pelas suas pancadas. Era assim que ela se sentia, aquele castigo apoderava-se dela muito lentamente, tomando conta de si mesma, o que mais parecia uma longa e lenta, tortura.
       Quando alcançou o passeio do lado oposto da rua, sentiu-se com mais segurança. Já tinha a oportunidade de se apoiar, ou apenas de tocar em alguma coisa, como um muro, uma grade ou, até, um poste. Tudo ficava mais fácil, ela ficava muito mais confiante, porque sentia o equilíbrio que lhe queria fugir quando se sentia desamparada. Era uma sensação demasiado esquisita e complicada, mas também verdadeira, algo que nem ela própria conseguia explicar.
        Alguns metros mais à frente, ela já podia ver a entrada da casa, que era azul clara e não muito grande. A casa tinha algo que lhe chamava a atenção: era separada por duas portas paralelas, feitas de vidro escuro. Aproximou-se um pouco mais e outra coisa lhe despertou novamente a atenção: uma linda roseira branca, que se encontrava no meio do jardim, junto a um pequeno lago. Tinha rosas grandes, e sobre elas estava uma linda borboleta, em tons de azul-marinho e que passeava sobre as suas frágeis pétalas. A terra estava molhada, o que dava a entender que alguém lá estivera a regá-la.
       - Olá! A menina precisa de ajuda? - Ouviu ela perguntar. Reconheceu aquela voz que pairava sobre o seu pescoço nu, e igual a uma suave carícia...
      - Oh não! - Pensou ela nervosa e assustada, mas fechando os olhos e dando meia-volta, respirou fundo e perguntou-lhe:
      - Olá, senhor Jorge! Por aqui? Ela ficou completamente
desamada e perplexa, sem saber o que fazer.
       Olharam um para o outro, surpreendidos, e depois ele sorriu-lhe.
        Ela reparou mais uma vez o quanto ele era atraente com aquela roupa. Trazia o, mesmo, fato que tinha vestido na primeira vez que reparou nele. Também usava uns óculos escuros, que lhe davam um ar mais sensual, mas que tirou logo a seguir, talvez para a ver melhor.
          Jorge sorriu-lhe descaradamente e com o seu lindo olhar verde-claro, que o deixava ainda mais atraente e apetitoso.
       - Isso pergunto eu! - Afirmou ele, com um ar curioso e sorriso brincalhão...
        Frederica ficou sem reação, a verdade era essa, apesar de tudo, ela é que estava em território alheio. É um facto que poderia estar apenas de passagem, sem invadir a propriedade de ninguém. Mas com o seu belo sorriso e bonito olhar, ele continuou…
      - Desculpa, eu sei que a rua é pública, mas ao ver-te aqui assim, pareceu-me que procurava alguma coisa, ou estou enganado…? Perguntou-lhe ele.
        Numa primeira reação, ela pensou em mentir, talvez com a intenção de se desculpar. Depois pensou melhor nos fracassos que a vida lhe trazia, e decidiu contar-lhe a verdade.
        - Não, não estás enganado, procurava alguém sim, mas já encontrei! - Respondeu ela imediatamente, antes de deixar fugir a coragem. Frederica olhou-o com sinceridade e coragem e sorriu-lhe abertamente.
         - Ah, então sempre é verdade? Não me digas, será que andavas há minha procura? - Perguntou-lhe Jorge sorrindo e com ar de gozo. Depois, observou-a com um rosto muito mais sério e curioso.
          Frederica respondeu-lhe com um único gesto afirmativo de cabeça, olhou-o timidamente, e lançou-lhe um sorriso sincero.
      - E porquê? Posso saber? Não me digas que fiz alguma coisa de errado sem saber…? - Perguntou-lhe ele sorrindo, com um olhar provocador.
         Frederica não gostou daquela afirmação e quase se arrependeu da asneira que tinha feito – a de querer saber se descobria algum sinal daquela pessoa, a quem decidiu contar a verdade.
        Falou sinceramente com Jorge, contou-lhe a preocupação dela, por não o ter visto mais por ali. Depois, confessou-lhe o porquê da sua ida a casa, e por fim contou-lhe o quanto ficara encantada com a entrada da vivenda, principalmente, com a borboleta.
       - Mas a borboleta, apesar de ser linda, não é minha. - Disse-lhe ele, espontaneamente, e com um sorriso sincero.
       - Imagino que não. Disse ela.
       - Desculpa-me pela brincadeira parva… foi estúpida, mas não foi intencional, acredita! Adorei a tua sinceridade, sabias?
        - Não é vulgar encontrar a franqueza de alguém! Mas ainda bem que alguém se preocupou comigo e com esta borboleta. – e prosseguiu dizendo:
         - Sabes, acho que a pessoa que se interessou por mim é parecida com uma borboleta: bonita, frágil e que irradia encanto! – Disse Jorge, com um olhar sério e um sorriso de encantamento e brincadeira. Depois continuou:
        - Desculpa outra vez a brincadeira, mas o que estou a dizer é a verdade! Vamos entrar? Porquê ficar aqui, no meio do passeio… não é lugar para conversarmos, não achas?
         No início, Frederica não disse nada, pois já tinha visto quem queria. Depois ficou indecisa e por fim, o telemóvel dele tocou. Jorge, depois de o tirar do bolso, olhou-o e suspirando disse:
         - Sim, mamã? Claro que não me esqueci, vamos jantar sim, não me demoro, até já. Ah, vou só tomar um banho, rápido, ok? Beijos.
           Logo que Jorge guardou o telemóvel no bolso, olhou para Frederica, com um ar dececionado e rosto mais sombrio.
         - Pronto… pela terceira vez, peço-te desculpa, mas vai ter que ficar para a próxima. Prometi que ia jantar com esta mulher que adoro! Sabes que foi onde fiquei, nestes últimos dias? Disse-lhe ele, mais contente e sorrindo.
         Frederica sentiu-se mais leve ao ouvir aquelas palavras, embora a vida dele não lhe dissesse respeito. Lançou-lhe um olhar amigável e disse:
         - Não tens que pedir desculpa, mãe é mãe, eu sei o que isso é… fica bem e bom jantar.
         - Sim, ok! Obrigada por tudo, mas já agora… deixa-me acompanhar-te?
        Jorge ofereceu-lhe o braço e ela concordou, acenando a cabeça, num gesto afirmativo. Agarrou-se a ele e sentindo-se melhor e mais segura, foi avançando. Encheu-se de coragem e falou-lhe sobre o seu problema de saúde, o que a fez sentir-se mais aliviada. Confessou-lhe o quanto isso a deixava incomodada e insegura mas principalmente sobre a sua evolução. Jorge disse-lhe que já tinha notado algo diferente, mas nada disso impedia o facto de poderem construir uma amizade sincera. Não era razão para se sentir diminuída, nem desesperada. Pensou também contar-lhe sobre a péssima novidade, acerca da irmã, mas pensou melhor, e contou-lhe apenas da gravidez.
       - Ah, parabéns tia… - Disse-lhe ele com um sorriso sincero e olhar ainda mais claro e brilhante, talvez devido ao calor que se fazia sentir e ao sol que se refletia no seu rosto.
       - Obrigada! - Disse-lhe ela satisfeita, apoiando-se à porta de entrada.
       - Estás entregue! Fica bem e até à próxima. - Respondeu-lhe ele. Colocou os óculos de sol, sorriu-lhe, voltou-se e avançou.
      - Obrigada e igualmente! - Sorriu-lhe também e pensou para si: até à próxima meu príncipe encantado!




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