Sabia que a água é um dos melhores tesouro...
Este blog vai ser um pouco as minhas asas. Vou publicar aqui alguns dos meus poemas, textos de livros que escrevi, e algo mais...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
POEMA MEU
A minha aldeia
Na terra onde nasci….
Na aldeia de onde vim
Existem riachos de água pura
Onde saciávamos a secura
Dessas tardes de loucura
Numa frescura sem fim…
Nessa aldeia há rios e fontes…
Onde pescávamos o peixe,
Regávamos a horta
E lavávamos a roupa
Que secava entre os montes
A minha aldeia ficou:
De ruas quase desertas
De casas e famílias incertas
Que com os anos a passar
É difícil de aceitar...
Eu aprendi a mudar…
Para agora recordar…
O maravilhoso odor campestre
Que com a primavera floresce
Entrando pelas janelas abertas
O que é difícil não lembrar…
Na minha aldeia
Ao som dos grilos a cantar
Eu tinha sempre a ideia
De que falava com o horizonte
E com as estrelas a brilhar
E era feliz por lá estar…
E sei que para sempre recordarei
Aquela aldeia perdida no nada
A criança que fui e que sonhei
Numa terra por mim amada
Sei que nunca vou esquecer
Os Invernos que ali passei
Como os dias tão incrivelmente frios
E as noites em que quase gelei
Mas ao sabor das brasas
Que me aqueciam e davam asas
Nós fazíamos o fumeiro
Para saborearmos o ano inteiro
Com o que cultivávamos
E assim os anos passavam…
Foram tempos difíceis
Nessa época de outrora
Apesar da pobreza que passei
Trocá-los-ia pelos d’agora?
Um bom vinho para degustar
Umas alheiras, para assar
Bolas de neve, para guerrear…
E enfim…
Enfim…
Enfim…
Deixo o meu pensamento divagar
Como borboletas a dançar…
E volto sempre àquele lugar
Para rever as coisas e lembrar
Brincadeiras de horas mortas
Com os risos de quem lá vivia
Sem nunca trancar as portas
Nem de noite nem de dia…
FREDY
DANS MON VILLAGE
Dans le village d’où je viens
Du coin qui m’a vu grandir
Il y a des flots d'eau qui naissent
Et nous sèchent la soif
Et nous sèchent la soif
De la chaleur qui vas venir
Dans ce beau village
Il y a une rivière avec des poissons,
Mais aussi des fontaines
Où nous arrosions nos jardins
Et nous lavions nos vêtements
Qui séchaient sur la montagne
Et nous lavions nos vêtements
Qui séchaient sur la montagne
Même en pleine campagne
Dans mon village
Il y a des oiseaux qui chantent
Il y a des oiseaux qui chantent
Dans le silence de l’horizon
Et des papillons qui dansent
Quand le temps n’a pas raison
Les années sont passées
Et j’ai appris á changée
Et á retenir tendrement
La belle odeur d’un village
Avec des fleurs de printemps
Je laisse mon esprit vagabondée
Quand je retourne á cet endroit
Où les mémoires me câlinent
Et revoir les choses de là-bas
C’est très difficile
C’est très difficile
De ne pas se souvenir ...
Blaguer sur le temps passé
Avec des regards d’enfant
Avec des regards d’enfant
Et de ne jamais oublier
Ce village que j’aime tant.
sábado, 17 de novembro de 2018
POEMA MEU
Dança pintada
Dança tracejando os traços que pinto
Futuro de vida por mim escolhido
Mostrando tudo o que sinto
Pincéis, tinta e imagens
Que flutuam na mente
E em cada canto de tela
Eles pousam livremente
E assim…
Calmamente invadem-me de paz
E pouco a pouco deixam de doer
Eufóricos saltam-me da alma
Dando-me a vontade de reviver
Igual ao dia que voltarei a nascer
E nessa tela crescer...
FREDY
domingo, 14 de outubro de 2018
DECLARAÇÃO
Depois de viver vinte e seis anos, uma vida, numa cadeira de
rodas, eu pergunto-me se não chega de sofrimento?
Eu sei que ninguém é culpado da doença, progressiva, que
herdei, nem sequer do infortúnio que me calhou. Talvez só o destino ou, eu
mesma, numa outra vida, quem sabe?
As horas, os dias e os anos avançam lentamente, tal e qual, a
minha doença… mas continuo viva, feliz ou infelizmente, não sei até quando, só
espero que seja por pouco tempo.
Existem pessoas em situações piores que a tua. Ouço muitas vezes
dizer, sim é verdade, mas também há situações melhores! Pelo menos quem tem dinheiro
é uma grande ajuda! Mas quando não existe a sorte de possuir nenhum dos dois, o
azar acentua-se.
Nem sei se me considere uma pessoa, com sorte ou com azar, porque
tenho a mente sã, só sei que esta condição me traz, o maior sofrimento, mas também
a maior alegria, é como viver numa prisão de porta aberta… Observando tudo mas
impedida, pela minha condição.
No fundo, eu só desejo doar o meu corpo, talvez seja um
pequeno, grande, passo para a evolução da cura da mesma. Já que não fui útil em
vida talvez seja em morta, eu quero que fique escrito: Alfredina Ribeiro Almeida
de cinquenta e três anos pretende doar o seu corpo para investigação.
terça-feira, 2 de outubro de 2018
QUANDO A SAUDADE ABRE A PORTA
Sempre que o meu olhar se depara com algo, inadequado e mesmo injusto, sou eu que por vezes, sem querer, envio os meus sentimentos, tentando adoçar o ambiente! Mas entristeço-me e regresso ao passado, aos tempos longínquos e que jamais esquecerei, lições vividas que amadureceram a minha vida, resumidos em pequenos gestos mas feitos de GRANDES vontades e gosto. Hoje em dia, entramos noutros tempos, onde a justiça é corrompida pela injustiça e o egoísmo fica Rei, tudo muda as nada melhora. Peço desculpa pelo meu desabafo e deixo um poema da minha autoria.
Pedido de ajuda
Que corrupio que confusão
É a lei abusadora e forçada
E não há dúvidas que o são
Ficando sem fazer nada
Quem os consegue melhorar?
Não tem sossego nem paz
Vê seu tempo descontrolar
E mesmo assim não é capaz
Sofrer tormentos assim
É como carregar uma cruz
Mas não penso só em mim
Quando chamo por Jesus
Pobres almas riem em vão
São alguns dos residentes
Que já não têm solução
Vivem sempre descontentes
Pobres de nós também
Que nada podemos fazer
Pois não somos ninguém
Nem sabemos a quem dizer
FREDY
quinta-feira, 26 de julho de 2018
parte seguinte do meu livro: OS SETE E A CABANA.
DEIXO AQUI MAIS UMA PARTE DO LIVRO, QUE SERÁ LANÇADO AMANHÃ, APAREÇAM, PORQUE VAI HAVER SURPRESAS...
- E comiam os legumes assim, crus? - perguntou
o André.
- Sim, claro que isso dependia do que se
tratasse. Mas pensem comigo, pelo menos eram produtos biológicos, ou seja, eram
naturais e puros, nascidos da terra preparada para isso mesmo!
- Eu, quando vou à horta, como cenouras
arrancadas na hora, e é bem bom! - exclamou a Ana.
- E eu adoro todos aqueles tomates
pequeninos, são ótimos e gosto bué! Que maravilha! - disse outra menina.
- Chamam-se a esses tomates cherry ou chucha,
o nome diz tudo! - disse a professora Laura, sorrindo, mas logo depois
continuou…
- Maria, como se chamava a filha dos donos da
horta, era filha única e de posses, que sempre desejou ter mais irmãos. Então
considerava-os a eles como família, uma vez que os pais alegavam não querer
mais filhos.
- Que sorte! Isso queria eu! Infelizmente,
tenho seis irmãos, todos mais velhos e só me chateiam! - disse o Adolfo.
- Eu só tenho uma irmã e chega-me bem! Como
me chateia, preferia por vezes não ter nenhuma! - interveio a Ana.
- Mas isso é sempre assim! Quem é que daqui
não tem mais irmãos? - perguntou a professora, ao mesmo tempo que dirigiu o
olhar para uma menina – a Elisa - que falava muito pouco, mas que respondeu.
- Eu não tenho nenhum irmão!
- Mas gostarias de ter? E porquê?
- Sim, adorava ter, mesmo que me chateassem,
ao menos tinha com quem falar, quando estivesse sozinha.
- Estão a ver? É sempre assim, quem não tem,
gostaria de ter, e quem tem irmãos, gostaria de ser filho único! É por isso que
eu digo: devemos valorizar o que temos!
- Sim, é verdade, professora! - responderam
eles, enquanto encolhiam os ombros. A professora continuou:
- A cabana ficava num lugar muito bonito,
onde no verão podiam tomar banhos diferentes, seja de água ou de sol! Era a
praia deles, porque não conheciam mais nenhuma! Um dia, combinaram entre eles
uma espécie de jogo! Onde cada um deveria arranjar uma coisa útil, como
presente para a casa. A ideia era que a cabana ficasse mais composta e alegre,
pois seria o seu ponto de encontro.
Laura olhou de novo para a sala e voltou a
encontrar nos olhares dos alunos um brilho de encantamento.
- Vocês sabiam que aquela cabana estava
assombrada? Pelo menos era o que se ouvia dizer. Havia até um ditado, um pouco
escondido, que dizia que aquela cabana era habitada por um fantasma! Mas eles
queriam ser mais corajosos que os restantes e, simplesmente, ignoravam tal
facto, ou então riam-se e diziam que não acreditavam em fofocas, nem eram
medricas!
- Eu também não acredito em nada disso, acho
que é só para as pessoas ficarem com mais medo! - disse uma voz vinda do fundo
da sala…
- Eu já não acredito em fantasmas! - disse o
André…
- Eu nunca vi nenhum, mas tenho medo, sim, e
acredito que eles existam nas pessoas más! - respondeu a Ana.
- Querem que continue ou não? Sabem que o
tempo passa rápido e se eu quero contar não é para ficarem com medo, antes pelo
contrário! – disse a professora, olhando-os calmamente, e depois sorriu.
- Sim, desculpe - respondem todos em
uníssono.
- A cabana, a cada dia que passava, ia
ficando mais arrumada e cada vez mais se parecia com a casa habitável que fora
em tempos. Todos eles levavam coisas descabidas, coisas que, em vez de deitarem
fora, levavam para ali! Poderia vir a ser preciso para qualquer outra coisa que
fizesse falta! Era uma espécie de reciclagem!
- E o que é reciclagem, professora? – interrompeu
o Jaime, um aluno, que estava muito atento… questão a que os outros acenaram
com a cabeça, mostrando ter a mesma dúvida que o colega.
- Ora, boa pergunta! Alguém sabe? - ela
olhava em volta, mas ninguém dizia nada, pelo que prosseguiu - Ora muito bem, a
reciclagem é isto mesmo… o que já faziam na altura, mas sem saberem e sem
sequer se falar deste conceito. Reciclar é reutilizar o que já não é necessário
na altura, e, assim, aproveitar tudo o que é velho para reconstruir algo novo.
Quase tudo era reciclado! – disse Laura, olhando em volta e sorrindo.
- Também costumavam contar a história de cada
peça ou artigo que arrecadavam para a cabana.
- Olha que fixe, que ótima ideia! – sussurrou
uma voz alegre e baixinho.
- Sim, muito engraçado! - respondeu outra ao
lado, também baixinho. Mas a professora fingiu não ouvir e continuou.
- Sim, algo que tinha o seu encanto. - rematou
ela.
Pouco depois olhou, pela janela, o fim da
tarde chegara, mas ela continuara com a sua história e iniciara o relato de um
episódio tantas vezes contado pela sua avó.
- Numa tarde de Outono, em que o sol ainda aquecia,
mais ao menos como esta, Francisco trouxe uma pequena manta, feita de retalhos,
e prontificou-se a contar uma pequena parte da sua história. Francisco era o
melhor amigo da minha avó e era a mesma história que ele tinha ouvido vezes sem
fim, contada pelo seu avô Alfredo. Francisco estava em pé, junto ao rio e em
frente à cabana, com a manta de retalhos na mão, quando começou. Olhou com
carinho para a minha avó Beatriz, que também estava em pé, junto ao rio. Ao
lado dela estavam os gémeos Miguel e Manuel José, sentados em cima de uns
pedregulhos, e as meninas Maria Amélia, Helena e Matilde, encostadas à cabana.
A primeira
história de Francisco
O BURRO INTELIGENTE
- Quero deixar bem claro que a história que
vou contar, já o meu avô a contava. Por isso, não sei até que ponto é mesmo
verdade, mas acredito bem que sim, pois foi passada com o pai dele. De qualquer
forma, verdadeira ou não, o que importa é o seu conteúdo, que é ainda bem
atual. – começou o Francisco, grande amigo da
minha avó.
-
Dizia que o seu pai, Francisco, de quem eu herdei o nome, com os seus oitenta
anos de idade e viúvo, tinha um fiel amigo e companheiro, um burro já velhote.
A professora Laura continuou, vestindo a voz
de Francisco:
- Tinha-lhe posto o nome de Fiel! - Francisco
olhou para os seus amigos e viu a curiosidade crescendo nos seus olhos, assim,
como agora eu vejo nos vossos! – disse a professora, observando os rostos dos
alunos, ávidos de curiosidade.
- O
burro Fiel, que sempre vivera com ele, acompanhava-o sempre em todos os
serviços da casa, do campo e não só. Como moravam distantes da aldeia, sem
nenhum vizinho próximo, faziam por regressar a casa sempre antes do anoitecer,
o que um dia não aconteceu. Era época de sementeiras e o velho burro tinha que
lavrar fazendo os regos para ele semear. No fim da tarde desse dia, regressaram
a casa, depois de um longo dia de trabalho.
Fiel,
já muito cansado e quase sem ver, pois o dia estava a chegar ao fim e já via
mal por causa da idade, tropeçou e caiu acidentalmente num grande buraco, cheio
de lama, na berma da estrada, perto de casa.
- Oh! Coitado dele! - exclamou André.
- Pois, tão cansado que estava… tinha de
acontecer! – disse alguém do outro ao lado.
- Mas continue...! - diziam eles!
- Como
a noite chegava depressa demais e a chuva também, o meu bisavô, Francisco,
ficou cheio de medo sem saber o que fazer. Depois de pensar em como poderia
agir para o salvar, chamava-o e nada. Puxava-o mas ele não reagia. Pensou ir em
busca de socorro, mas ficaria na completa escuridão daqui a vários minutos e
todo molhado, o que só pioraria a situação em que estava. Ele próprio já era velho
e precisava de se cuidar se quisesse ajudar o amigo. Depois de respirar fundo várias
vezes, andou um pouco e sentou-se debaixo de uma árvore, perto de casa e desse
local. Ali, pelo menos, estava abrigado da chuva, podia descansar um pouco e
enrolar-se na sua manta favorita, que era esta! – disse o Francisco, ao
levantar o braço, mas logo depois continuou.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
OS 7 E A CABANA
CAROS AMIGOS, VOU PUBLICAR AQUI A PRIMEIRA PARTE DO MEU, NOVO, LIVRO ONDE O LANÇAMENTO VAI SER EM BENFICA, PARA A SEMANA... APAREÇAM...
Numa segunda-feira do mês de outubro, a
professora da escola primária, Laura, como se chamava, no final das aulas e antes
dos alunos saírem da escola, perguntou a todos eles, com entusiasmo e
imaginando uma resposta positiva:
- Vocês gostam de histórias?
- Sim, claro! - responderam eles em
conjunto.
- Gostariam que eu contasse alguma?
- Sim! - responderam eles novamente!
- Então fica prometido que, a partir de
amanhã, neste, mesmo horário, eu contarei uma história.
- Oh, que fixe! - comentaram uns com os
outros, sorrindo de contentamento.
A sua intenção era a seguinte:
proporcionar-lhes mais interesse, curiosidade e vontade pelos estudos e assim
combater o absentismo. Tudo isto devido a estarmos no início do ano escolar!
Talvez isso lhes abrisse o apetite e criasse neles uma maior motivação pelas buscas
de aprendizagem e valores humanos.
Quando chegou à escola, no dia seguinte,
tal como ela imaginara, ninguém estava ausente. A pequena sala de aulas
transbordava de alegria e curiosidade. Todos estavam atentos e no seu devido
lugar, onde esperavam ansiosamente pelo final das aulas, para que pudesse
acontecer o que lhes fora prometido, no dia anterior.
E assim foi… Começou então a contar a
história, quase no fim da tarde de terça-feira:
- A minha avó Beatriz, que faleceu no ano
passado, tinha os seus oitenta e dois anos; dizia-me, várias vezes, que quando
era jovem, por volta dos seus treze anos, juntava-se com mais amigos e colegas,
da mesma e única escola, dali. Para assim, depois das aulas, e todos juntos,
aproveitarem o tempo da melhor maneira possível - dizia ela sorrindo e, ao vê-los com muita
atenção, continuou – Procuravam, então, os sítios mais resguardados, calmos e agradáveis
desta pequena aldeia. Aquela que, pouco a pouco, foi crescendo e se transformou
na linda vila de agora. A história surgia da boca da professora Laura, com voz
carinhosa, de quem recordava com alegria as vivências que a sua avó lhe
contara...
- Mas é uma história verdadeira? - perguntou
alguém
- Sim, eu conto porque vale a pena perceber
e entender o valor dos acontecimentos dessa época! Verão como é bonita e verdadeira!
- disse a professora, com satisfação, mas pouco tempo depois continuou.
- Sabiam que foi nesta aldeia que muitos
dos antepassados das famílias deste lugar viveram a sua juventude e até mesmo a
vida, pois foi donde a maioria nunca saiu.
De repente, sorriu e fez uma pausa, como se
acabasse de se lembrar de alguma coisa importante! Reparou que a curiosidade
estava estampada nos rostos da maioria dessas crianças, onde lhes perguntou a
sorrir:
- Quem de vocês tem mais alguma família daqui?
Além, dos vossos pais, claro?
- Eu, os meus avós maternos e um tio ainda
vivem aqui, nesta aldeia! - respondeu a Ana.
- Eu também! Ainda tenho tios e primos que
moram cá - disse uma outra menina que estava ao seu lado.
- Quanto a mim, já não sei ao certo, uns
dizem que sim, que tenho tias distantes, mas outros dizem que não... - disse
uma outra voz mais triste, suspirando, desta vez de um menino chamado André
Mário.
A professora, depois de engolir em seco,
retomou a palavra e prosseguiu:
- O que é certo é que esta pequena aldeia era
o único sítio que eles conheciam.
A professora observou e avaliou a reação de
cada um! Eles olhavam uns para os outros tentando desvendar alguma coisa, mas
denunciavam uma curiosidade geral! A paz reinava ali, naquela sala de aulas, e
ela continuou.
- Como vocês não podem imaginar, porque não
viveram nessa época, aqui não havia nenhuma distração. Quase todos os dias
faziam a mesma coisa.
- Oh, que chatice! - respondeu um outro
menino mais alegre, que se chamava Adolfo. Laura, a professora, sorriu-lhe e
deu uns passos em frente, e, levantando as mãos devagar, perguntou perguntando
a todos eles:
- Era uma seca, não acham?
- Sim, era realmente uma chatice! A não ser
que inventassem os jogos! - responderam alguns. Depois, a professora sorriu e
continuou.
- Pois assim fizeram! Então, logo após as
aulas e para preencherem melhor o tempo, alguns deles juntavam-se e faziam os
trabalhos da escola. Dividiam, assim, as incertezas e partilhavam todo o tipo
de problemas, desabafando e aconselhando-se, uns com os outros, o que era ótimo,
não acham? – disse, sorrindo. Olhou à sua volta e viu que estavam curiosos,
pelo que continuou…
-
Mas, não brincavam? - perguntou uma outra menina que se chamava Maria João.
-
Brincavam, sim, entre eles, como à macaca, cabra cega e às escondidas. Contavam,
também, todo o tipo de histórias, sendo alguns acontecimentos verídicos!
- Ah,
assim está melhor! – comentaram os outros.
- Nós
ainda jogamos a isso, de vez em quando, sempre que vamos ao recreio! - disseram
outros.
- Sim, são mais divertidos do que muitos de
agora!
- É verdade, embora a tecnologia esteja, cada
vez, mais atual em tudo na nossa vida! – disse Laura.
- Pois. - proferiram eles.
-
Muito bem! Continuando… - disse a professora, ao respirar fundo.
- No
final de cada seção e do dia havia sempre alguém que se prontificava a contar
uma bela história vivida pelos seus antepassados, pais ou avós. Eram histórias
que ajudavam a viver, porque cada uma continha o seu valor. - explicava ela
esfregando as mãos.
- Por
mais que elas pudessem ser imaginadas era, também, uma boa e linda maneira de
aprender e de valorizar mais o lado humano, ou seja, o do coração. Principalmente
porque estavam na altura certa de saber e compreender que, nos vários problemas
da vida, existe quase sempre uma saída, desde que nunca se desista. - dizia-o
num tom persistente e acenando com a cabeça.
- O sítio preferido deles era uma cabana
abandonada, onde, por vezes, se refugiavam os pastores, caçadores e outros,
mais principalmente, quando chovia. Sim, porque nas alturas de caça, chovia
bastante! Nessa cabana, havia uma grande cheminé que podiam acender e
aquecerem-se nos dias mais frios! Quem escolhera aquele lugar tinham sido as
raparigas! Sabiam?
- Ai sim? E porquê elas? - perguntou, Adolfo,
um dos rapazes, interrompendo a professora
- Estás
com inveja? - respondeu uma rapariga, em tom de brincadeira.
- Calma, sim? Não comecem já a discordar! - disse Laura levantando as mãos e continuando. - Isso só aconteceu porque
elas eram quatro, e eles três! E depois, a cabana ficava junto a uma horta e a
um rio. Antigamente era uma casa habitável pertencendo aos familiares de uma
amiga desse grupo. Onde havia várias árvores de fruto que pertenciam aos pais
dessa amiga. Assim, tinham permissão de ir petiscando frutas ou legumes à
medida que iam brincando!
- Ah, assim está melhor! - disse a mesma voz!
- Porque não é justo que elas fiquem sempre em vantagem…
- E comiam os legumes assim, crus? - perguntou
o André.
- Sim, claro que isso dependia do que se
tratasse. Mas pensem comigo, pelo menos eram produtos biológicos, ou seja, eram
naturais e puros, nascidos da terra preparada para isso mesmo!
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